Não caberia outro texto senão esse descrito abaixo, para expressar o que sinto.
É como se meus olhos pudessem ver os territórios da minha alma sendo invadidos pela dor.
Sinto dores que há muito não sentia. Daquelas que ameaçam o orgulho, a verdade e o plano. Dores que desmantelam a lógica, o tempo e a regra.
Eu que ergui muros altos, que cerquei de cuidados os limites encantados da emoção.
Eu que conheço os danos da invasão, o drama e o estrago da rendição... Eu que sou forte, sinto dores. Eu, que calei o coro dos valentes, silencio diante do sussurro das dores.
Eu que inventei a analgia, sinto.
Eu que entreguei os remédios em troca de vacina, experimento a sina de quem inevitavelmente sente.
Sinto dores.
E sentindo entendi que nessa vida não há beleza livre da dor.
Não há sentido inviolável, nem sentimento invariável.
É sentindo que se lembra que é com dores o nascimento, com dores o crescimento.
É com dores que se ganha e que se perde.
É com dores que se paga.
É com dores que se espera.
Dor
É a herança confusa de quem ainda vive essa vida pequena.
É o sintoma da doença.
É a sentença da escolha.
É algoz e é vigia.
Em vez de atestar a ausência do bem, é a prova do efeito do mal.
Sem dor não haveria salvação.
Sinto, logo dói.
(By Candido Gomes)

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